Como funciona o spread e por que varia entre bancos
Duas pessoas com o mesmo rendimento, a pedir o mesmo valor de crédito, no mesmo mês, podem receber propostas com spreads diferentes de banco para banco, às vezes com mais de meio ponto percentual de diferença. Entender porque é que isso acontece ajuda a negociar uma proposta melhor.

O que é o spread, exatamente?
Numa taxa variável ou mista, a taxa de juro do crédito é composta por dois elementos: a Euribor (o indexante, igual para todos os bancos, definido pelo mercado) e o spread (a margem que cada banco acrescenta, e que varia de instituição para instituição e de cliente para cliente). A taxa final é a soma dos dois, Euribor + spread.
Por que varia entre bancos — e entre clientes no mesmo banco
O spread não é um valor fixo de tabela. Cada banco ajusta-o com base no risco que associa a cada crédito específico.
Loan-to-value (LTV) - quanto menor a percentagem financiada face ao valor do imóvel, menor tende a ser o spread. Financiar 70% costuma ter condições melhores do que financiar 90%.
Perfil de rendimento e estabilidade profissional - contrato sem termo, rendimento mais alto ou mais estável, e taxa de esforço mais baixa (prestação face ao rendimento) tendem a reduzir o spread proposto.
Produtos associados - os bancos costumam oferecer spread mais baixo a clientes que domiciliam salário, contratam seguro de vida e multirriscos com o banco, ou têm cartão de crédito ativo — e sobem-no se esses produtos não forem contratados.
Política comercial do banco naquele momento - cada instituição define margens diferentes consoante a sua estratégia comercial e a concorrência que sente no mercado.
É por isto que a mesma pessoa pode receber uma proposta de spread de 1% num banco e 1,8% noutro sem que nenhuma esteja "errada": refletem apenas critérios de risco e políticas comerciais diferentes.
Exemplos de produtos e serviços que podem baixar o spread
A estes descontos chama-se bonificação do spread. Os mais comuns são:
Domiciliação do ordenado - receber o salário na conta do banco que concede o crédito.
Seguro de vida - contratar com o banco o seguro de vida associado ao crédito habitação.
Seguro multirriscos habitação - contratar com o banco o seguro do imóvel.
Cartão de crédito - ter um cartão do banco, muitas vezes com um valor mínimo de compras por mês ou por ano.
Débitos diretos - pagar contas da casa (água, luz, gás, internet) através dessa conta.
Conta-pacote ou solução integrada - aderir ao pacote de serviços do banco, normalmente com uma mensalidade.
Poupança e investimento - subscrever produtos como PPR, fundos ou depósitos a prazo, ou fazer entregas mensais para poupança.
Casa com boa eficiência energética - alguns bancos oferecem spreads mais baixos em créditos "verdes", para imóveis com certificado energético A ou A+.
Atenção: cada um destes produtos tem um custo. Um spread mais baixo pode sair mais caro se os seguros, comissões e mensalidades somarem mais do que aquilo que poupa na prestação. Por isso, compare sempre a TAEG (que inclui estes custos) e não apenas o spread. O banco tem de aceitar seguros de outra seguradora, desde que tenham coberturas equivalentes, mas pode retirar o desconto no spread associado a esse seguro.
O que fazer com esta informação
Como o spread é negociável e depende de critérios que variam por instituição, comparar apenas um banco significa, quase sempre, pagar mais do que seria necessário. Pedir propostas a vários bancos em simultâneo — e negociar cada uma com base nas condições das outras é a forma mais eficaz de conseguir o spread mais baixo disponível para o seu perfil.
É exatamente esse trabalho de comparação que um intermediário de crédito faz por si, junto de vários bancos ao mesmo tempo. Peça uma análise gratuita ao seu perfil de crédito.



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